ProRural participa de Encontro Nacional de Sementes Crioulas

Técnicos do ProRural de Salgueiro participaram, na última quarta-feira (13), do Encontro Nacional de Sementes, promovido pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em Macéio, no estado de Alagoas. O evento teve como objetivo avaliar o Programa Sementes do Semiárido, trabalhar o fortalecimento das Redes de Bancos Comunitários de Sementes nos estados do Nordeste e Norte de Minas Gerais e pensar Políticas Públicas Estaduais para a produção, comercialização e utilização de Sementes Crioulas entre os agricultores familiares dos estados de da Bahia, Pernambuco, Alagoas, Piauí, Paraíba, Minas Gerais, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte.

O pontapé inicial já foi dado em alguns estados e em Pernambuco foi criado o projeto Sementes da Partilha e, algumas regiões, já criaram bancos de sementes, mudas e raças crioulas como no Agreste Meridional, inclusive com promoção de feiras de trocas de sementes e mudas entre agricultores. Para os participantes do encontro, bancos de semente, feiras e redes produtivas propiciam um ganho na heterogeneidade dos cultivos e, consequentemente, proteção e melhoria das condições do agroecossistema local.

Segundo a técnica do ProRural e representante da comunidade quilombola de Mirandiba, Ângela Santos, plantar a semente crioula significa aumentar a diversidade de sementes e trazer a história da nossa ancestralidade para outros agricultores. “No passado o cultivo era sustentável, pois as sementes eram cultivadas pelos agricultores nas próprias comunidades, o produtor não precisava comprar ou esperar a doação de sementes pelo poder público. Além disso, temos a preocupação com a nossa alimentação. Se nós queremos ter qualidade de vida e saúde, precisamos de uma alimentação saudável que vem de uma semente de qualidade e sem transgênicos, por exemplo”.

Durante o encontro foram apresentadas também pesquisas com Sementes Crioulas no Semiárido, debatida a ameaça do transgênico ao milho crioulo no ecossistema e discutidas estratégias de resistência, entre outros. O grupo de aproximadamente 150 pessoas também discutiu sobre como os Estados vêm apoiando e fortalecendo as ações de cuidado com as sementes crioulas, e como é possível criar uma legislação que garanta os bancos de sementes crioulas aos agricultores familiares.